quinta-feira, 2 de junho de 2011

ERA UMA VEZ...


Sim, como toda história, essa não poderia ser diferente. E então...
Nasci!
Nasci em São Paulo, Capital, na manhã de 27 de setembro de 1967, na Maternidade Leão XIII. Sou a segunda dos três filhos dos meus pais, de quem tenho profundo orgulho. Meu pai trabalhava como operário na Mercedes Benz e apesar do pequeno grau de instrução, o considero uma pessoa culta e multidisciplinar. Sempre recorríamos a ele nas dúvidas em trigonometria, matemática, desenho, física, química, entre outras. Minha mãe, durante toda a sua vida, cumpriu a difícil tarefa de ser dona de casa e mãe, em tempo integral, e educou três filhos. Sempre foi disciplinadora de nossas vidas, sabendo incentivar com ternura e firmeza, com confiança e certeza nossos projetos.
Nada me lembro do que aconteceu no dia. Se, fazia frio ou calor. Se, chovia ou ventava. Acredito que seja normal, considerando que eu tinha acabado de nascer. Pra ser sincera, muito pouco eu sei sobre o dia e as circunstâncias. Engraçado... Eu nunca havia parado para pensar sobre isso. A única coisa que sei, contada por minha mãe e minha madrinha, é que eu simplesmente "escorreguei" do ventre da minha mãe. Pressa de nascer? Por que tanta pressa assim? Dizem que nada é por acaso.
Vivi uma infância relativamente tranquila. Como toda criança, ou quase toda, estudava, brincava, brigava... Poucos episódios me marcaram durante esse tempo ao ponto de eu me lembrar. Algumas brigas, com minhas primas... Surras da minha mãe... Algumas festas... Alguns encontros de família. A normalidade me dá hoje uma sensação de que eu me considerava uma pessoa feliz.
Estranho... Eu não tenho muito que falar da minha infância. Será que isso é devido ao fato de tê-la vivido plenamente? Será que ter esquecido a maioria dos acontecimentos poderia estar relacionado ao fato de eu realmente não querer, inconscientemente, lembrar de algo ou alguma coisa?
Lembro de ser muito chorona. E tinha uma "vacina": não era preciso nem me tocar, o simples fato de olhar já me fazia derreter em um choro de antecipação da dor.
Lembro também que eu A-D-O-R-A-V-A aprender e estudar. Desde cedo tive muito gosto pelos estudos, e também o incentivo de meus pais. Antes mesmo de iniciar minhas atividades primárias em uma escola Municipal de São Paulo, já sabia ler e escrever. E minha mãe, quando eu tinha 6 anos de idade me deu a opção de ir pra escola em troca da chupeta que eu adorava tanto. Puxando a memória, começo a lembrar de algumas situações. Como ficar debruçada no berço do meu irmão caçula chupando um pouquinho a chupeta dele.
Lembro vagamente do pátio da escola onde iniciei minha vida acadêmica. Do arroz doce que me obrigaram a experimentar. Do dia em que a minha prima, hoje meu Anjo, foi fazer um teste na mesma escola e mesma sala que eu frequentava. E não lembro porque cargas d'água, ela se desesperou e começamos as duas a chorar. De chegar em casa, fazer os deveres e ainda brincar de escolinha. Não me lembro de amigos que tive nessa época. Minha vida social era restrita aos avós, tios, primos e irmãos.
Lembro, também, de uma porta que ficava na divisa do terreno da minha avó e da minha tia, por onde ela de vez em quando me sequestrava e me enchia de dengo. E como eu gostava.
Não me lembro de receber carinho dos meus pais... Mas lembro dos passeios ao campinho na Estrada das Lágrimas, onde soltávamos pipa, andávamos de bicicleta e jogávamos bola.
As coisas começaram a ficar mais marcantes pra mim, quando meu pai recebeu uma proposta de trabalho em uma cidadezinha do interior. E assim, partimos para um lugar totalmente desconhecido bem distante de tudo e de todos. No início, morávamos em um quarto na casa de uma família. Não lembro quanto tempo ficamos lá, para mim pareceu ser muito tempo. Depois disso, fomos morar numa casinha, que tinha um quintal grande, um tanque na frente, sem forro, alguns morcegos, um banheiro fora da casa e roseiras lindas que minha mãe sempre podava em determinada época do ano. Não me recordo das despedidas, se é que elas aconteceram. Não me lembro da viagem para o novo destino. Não me lembro da chegada. A sensação que tenho é de um vácuo enorme nesse tempo, como se minhas lembranças tivessem sido congeladas. Talvez, simplesmente eu era ainda muito nova para temer o desconhecido.

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