Aos 43 anos de idade, tanto de mim ainda me é estranho. Quanto ainda busco por respostas. Quanto ainda é obscuro. Procuro viver, sem dar importância a essa parte de mim que ainda é desconhecida e que me alfineta a todo instante. Mas quando percebo, continuo buscando resposta para esta parte que ainda não me foi revelada. Talvez essa parte ainda surgirá, em tempo e hora apropriada. Ou, ainda, continuara obscura até o fim desta minha existência, na condição de ser humano carnal.
Por várias vezes tentei escrever a minha vida. A minha história. Tentei relembrar detalhes de alguns acontecimentos marcantes. E, ainda não descobri por qual motivo, sempre paro em algum ponto, em algum detalhe. E esqueço. Ou me faço esquecer. Talvez por inspiração de Martha Medeiros, resolvi começar a escrever, novamente, a minha história, sob um ângulo diferente: o de mera observadora. Penso que estou sendo hipócrita pensando assim: acredito que nunca vou ser somente uma observadora, ainda mais quando os fatos fazem parte de mim. Do meu estado de ser atual. Da minha essência. Das minhas crenças e valores.
Relendo alguns apontamentos de momentos vividos, percebo que hoje tenho ampliado um vocabulário que há bem pouco tempo não me seria peculiar. No desespero de me encontrar, me permiti realizar alguns cursos que ampliaram os meus recursos para trabalhar com estas dúvidas que ainda me rondam. Se estes novos recursos me fazem bem, ainda não posso dizer; pois a partir deles, é que minha necessidade de respostas aumentaram e, junto com esta necessidade, algumas culpas surgiram.
Começos são difíceis. Ainda mais quando se percebe o quanto já foi vivido, o quanto já foi construído, o quanto foi adiado, o quanto foi sonhado... Então penso: por onde começar? Talvez o mais apropriado seja começar pelo início.
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